Sunday, March 28, 2004

Oh Guterres, vá lá fora a ver se chove (ou se ainda arde)

António Guterres, excelso ex-primeiro de Portugal veio a público explicar (pela primeira vez em dois anos e meio!) as razões para a demissão do governo.

Ansiosos que estávamos por esta revelação, quase nos mijámos todos (de nervosismo) ao ver tal personalidade falar em português e para os portugueses, depois de um prolongado voto de silêncio. Com tanto silêncio, tanto secretismo, tinhamos para nós que o gajo se tinha demitido vítima de uma conspiração, ou até mesmo de chantagem, quem sabe. Seria agora a hora da revelação? Mas não. Mijámo-nos todos em vão. Dois anos e meio de espera para isto?! Tarde piaste - e mal, e em contraste absoluto com as acções desenvolvidas pelos pirómanos este ano. Como sempre, os piores exemplos vêm de cima.

Relembro aqui as palavras de, esse sim, um colosso do PS, para um agente da Brigada de Trânsito (já na altura, concerteza, à procura de "luvas"!): "Oh homem, desapareça!".

Avante Portugal

Parece que há afinal em Portugal quem, contra hábitos e culturas instalados, não sofra de "atrasite" crónica. Os pirómanos aí estão, com uns valentes dois meses de avanço, a lançar já a nova campanha Incêndios 2004.

É caso para se dizer que já se sente o fogo da mudança.

Monday, March 22, 2004

Ladies and gentlemen, we got him!

O estado de Israel finalmente conseguiu eliminar o Xeque Ahmad Yassin. Depois de várias tentativas falhadas, a noite passada três helicópteros lançaram três mísseis que acabaram com a vida de um velho paralítico, quase cego e com graves problemas respiratórios, libertado há meia dúzia de anos para não causar o embaraço de morrer na prisão (parte dos problemas de saúde foram adquiridos durante o encarceramento).

As provas já são públicas, a fase de instrução e o contraditório foram efectuados e o direito de defesa foi escrupulosamente respeitado. O julgamento estava arrumado. O governo Israelita chefiado por esse campeão dos direitos humanos que é Ariel Sharon (estranho que já não se fale em Sabra e Shatila há algum tempo) tinha decidido que mais este tinha de morrer... e quaisquer outros que ali estivessem à sua volta, o que eventualmente aconteceu a outras sete pessoas que estavam na área.

Ninguém com um mínimo de bom senso pode apoiar o terrorismo, e por isso ninguém de bom senso pode apoiar o terrorismo de estado. É pelo facto de Israel ser um pretenso estado moderno, com um governo eleito democraticamente, que deve ser-lhe exigido um comportamento consentâneo com o direito internacional (e acrescento, com o bom senso). Todos condenamos a morte estúpida e sem sentido de civis por um fanático bombista, mas todos temos de condenar também o mesmo comportamento por parte de um conselho de ministros.

Aos estados não lhes assiste o direito de se comportarem como bandos de pistoleiros.

Sunday, March 21, 2004

A eficácia do controlo de fronteiras

O governo vai mesmo repor o controlo nas fronteiras, segundo noticia hoje o Público, durante o Rock in Rio em Lisboa e o Euro 2004. Depois de anos de abandono, o SEF está-se já a preparar para passar estes dois meses que faltam a limpar teias de aranha e a rebocar paredes.

O controlo será efectuado nas fronteiras de Tui, Vilar Formoso e Caia (usando os postos mistos com a Guardia Civil) e vão construir um outro em Vila Real de Santo António (oxalá usem empreiteiros espanhóis, à cautela, para que ninguém tenha de passar uns tempos em tendas de campanha).

Entretanto, O Merdas sabe que os mentores desta acção obtiveram de fonte segura a informação que os terroristas desconhecem por completo a estrada de Ficalho, a de Quintanilha, bem como todos os outros acessos entre Portugal e Espanha.

Tuesday, March 16, 2004

Viva España

Durante uns dias não me apeteceu escrever. Aos meus fiéis leitores, as minhas desculpas.

Hoje apetece-me dedicar duas linhas a José Luis Rodríguez Zapatero. Porquê? Porque está de parabéns.

Está de parabéns porque ganhou as eleições. Está de parabéns porque privilegia uma construção europeia com diálogo e não com arrogância. Está de parabéns porque vai cumprir o seu programa de governo e retirar as tropas espanholas do Iraque, caso a ONU não tome as rédeas da ocupação.

Nos jornais abundam hoje os artigos de opinião, criticando o anúncio que muitos espanhóis votaram para ouvir. Ao retirar do Iraque, Zapatero cumpre o que promete e o que a sua moral lhe dita. Muito teria o nosso governo a aprender com o exemplo que nos chega além fronteiras. É precisamente porque não se pode vergar às exigências de terroristas que Zapatero faz o que já tinha dito que faria.

Eu ainda alimento uma esperança. Talvez isto tudo seja afinal, também, o canto do cisne da viragem à direita dos últimos anos na Europa. Pode ser que a Espanha, tal como foi a primeira a guinar à dexta, seja a primeira a safar-se à canhota. Pode até ser que o nosso Vitorino sempre venha a ser Presidente da Comissão Europeia. Pior que Prodi não seria concerteza.

Thursday, March 04, 2004

Deêm-lhe um bofetão

Alguém encontrou este blog, fazendo a seguinte procura no Google:

explique a afirmacao para uma mesma fonte de calor o tempo gasto para cozinhar 2 kg de arroz e o dobro do tempo gasto para cozinhar 1 kg de arroz

Se você for o Encarregado de Educação do(a) aluno(a) que tentou fazer os trabalhos de casa copiando a pergunta do TPC directamente no Google, por favor mande-lhe um tabefe; por mim. Por dois motivos, primeiro os trabalhos para casa são para se 'fazerem', não para se copiarem, e segundo por que não tem nada de andar a navegar na net sobre páginas como esta, de conteúdo, notoriamente, pornográfico.

Wednesday, March 03, 2004

John Kerry

Parece certo que John Kerry vai ser o candidato presidencial do partido Democrata. As sondagens dão-no à frente do outro cretino que ocupa a Casa Branca (escuso-me a explicar quem é, e porque é, o cretino).

Existem então ainda algumas esperanças que os nossos filhos não venham a viver uma época... assim algo parecida com a Idade do Bronze.

Saturday, February 28, 2004

Transgénicos

Cientistas desconfiam que um campo de milho transgénico está na origem de febres, doenças respiratórias e alergias detectadas numa povoação das Filipinas, noticia o Guardian. Testes preliminares mostram que 39 aldeões desenvolveram anticorpos contra o pesticida introduzido na sequência genética destas plantas.

A Monsanto desmente, claro. Impossível, dizem. Essa do impossível já não me convence, nem devia convencer ninguém, depois de terem dito que era impossível a BSE passar para humanos.

Anos depois de terem tornado as vacas em canibais, a indústria alimentar continua a pressionar a UE para que acabe com a moratória imposta à introdução de organismos geneticamente modificados (OGM). Continuam a não haver testes que assegurem a total segurança destas variedades de plantas, e o facto de terem sido legalizadas nos EUA e estarem a ser testadas na Grã-Bretanha e Espanha não me reconforta. Pelo contrário, assusta-me. Assusta-me pelo métodos empregues.

Quais métodos, perguntam vocês? O da pressão política e suborno, respondo eu. As empresas de biotecnologia aliás não perderam tempo a colocar os seus peões no tabuleiro de xadrez da política europeia. Só alguns exemplos, da nossa mais antiga aliada:

Lord De Ramsey, plantou beterraba açúcareira para a Monsanto nas suas propriedades. Foi recompensado com a presidência da Environmental Agency, a agência governamental para a protecção do ambiente.

Paul Leinster, empregado em 1998 da Schering Agrochemicals Ltd, co-proprietário da companhia de biotecnologia AgrEvo. Mais tarde foi convidado pelo governo para presidente do directório de protecção ambiental do Environmental Agency. Ficou conhecido por em Outubro de 1999 ter proposto que as companhias agro-alimentares auto-controlassem a sua própria poluição (ora aqui está um óptimo exemplo de como destruir o organismo estatal de que se é presidente).

Prof. John Hillman, antigo membro da direcção da BioIndustry Association. Depois, foi eleito director do Scottish Crop Research Institute, governamental, que é suposto oferecer pareceres imparciais ao governo sobre biotecnologia.

Prof. Peter Schroeder, director da unidade de investigação da Nestlé, que abandonou para ser o director do instituto governamental, Institute of Food Research.


Independentemente da cor dos governos todos vão caíndo nas teias formadas por complexos apátridas, com um poder económico que faria corar de vergonha um Rockefeller ou um Morgan.

Espero que reste um pouco de bom senso à Comissão Europeia e que não levante esta moratória (prepara-se para o fazer em Abril). Espero também que a notícia avançada nas Filipinas não seja verdade, pois caso o seja, existem milhares de pessoas em risco de adoecerem, vitimas da avidez de meia dúzia de multinacionais, que vendem um logro: sementes a preço de ouro, acompanhadas de promessas de colheitas milionárias e de um contrato em que o agricultor é obrigado todos os anos a pagar royalties sobre as sementes usadas, bem como é "aconselhado" a pulverizar os seus campos com os herbicidas, pesticidas e fertilizantes sintéticos, comercializados pelas mesmas empresas, e adaptados a cada uma das suas espécies.

Há que parar com esta merda. É o meu direito. Exijo peixe espada sem mercúrio, carne de vaca sem BSE, galinha sem dioxinas nem gripe, borrego sem scrappie, vegetais sem pesticidas e, acrescento agora, milho sem antibióticos!

Friday, February 27, 2004

Correio do Leitor

A autora do blog imanencia apelidou um dos meus posts de "post de merda". Ainda por cima chamou-me de ignorante, e ainda acusou os médicos de serem corruptos. Isto tudo em dose dupla, pois deixou aqui um comentário e honrou-me com um post inteirinho.

Por questões de reciprocidade, partilho aqui convosco o comentário que deixei no post da referida senhora:


Como autor do tal "post de merda" reinvidico aqui o meu direito de resposta. Não é meu objectivo iniciar uma polémica, mas esclarecer alguns pontos.

Primeiro, em relação ao que relatório da dita subcomissão, a sua interpretação é bastante sui generis. Em nenhum ponto das partes do relatório que foram veículadas na imprensa (infelizmente não me é possível encontrá-lo na íntegra, se você o têm, por favor mande-mo), fala em dificuldades de controlo das receitas. Aliás, há anos que se fornece metadona aos heroinómanos sem qualquer problema de um mercado negro, que os arautos da desgraça sempre disseram que tal distribuição iria trazer. Também se receita morfina para atenuar a dor, sem que haja um mercado paralelo desta substância. Se fizesse também o favor de me enviar os tais "estudos que confirmam que em Portugal bastava uma legalização desse tipo para que imensos 'profissionais' desatassem a passar receitas deixando que lhes untassem as mãos em troca", agradecia.

Segundo, quando me aconselha tomar mais conhecimento com a realidade e a travar conhecimento com pessoas "cuja vida foi arruinada devido ao uso de cannabis ou porque alguém da sua família consumia", estava mais uma vez a ler enviesado. Se reler o "post de merda" não encontrará qualquer incentivo ao consumo de cannabis. Aliás, quando você diz que se houvesse uma manifestação a favor desta legalização, quem iria lá encontrar não seriam certamente os familiares de doentes crónicos, aí estamos de acordo. Parte do "post de merda" refere-se precisamente ao facto destes não terem expressado qualquer opinião sobre este assunto, e ter sido o Bloco de Esquerda a carregar esta "bandeira".

Terceiro, como parece que não fui bem entendido, o "post de merda" tinha três objectivos: (1) criticar o facto de a tal subcomissão ser contituída por pessoas com interesses na manutenção do status quo e na comercialização do Marinol; (2) o já referido alerta de que o Bloco de Esquerda não é o porta voz dos doentes terminais; e (3) acusar a maioria de falta de compaixão para com estes doentes. Se a "maldita" substância lhes melhora a qualidade de vida, não me resta qualquer dúvida. Permitam o seu acesso.

Por último, um pouco de boa educação não lhe ficava mal.

O Merdas

Saturday, February 14, 2004

Acabemos com os Cacéns

O nosso amigo d'O Bisturi chamou-me a atenção de um artigo no Blog-Notas sobre o Cacém. Leiam que vale a pena.

Se me permitem, gostava também de deixar aqui a minha opinão (e eu sei que me permitem porque o blog é meu). A opinião era para a deixar lá, nos comentários do post, mas como me estiquei, este migrou para aqui.


Nado e criado em Queluz percebo e partilho completamente da opinião do autor.

O Cacém (tal como a quase totalidade da "linha de Sintra") já me dava vómitos quando, estudante em Lisboa, era mais saudável apanhar o combóio "para trás", para apanhar os "curtos" do Cacém, e então regalar a peida em assento de cabedal (esquartejado a golpes de X-acto, claro). Faziamos depois a jornada de volta, rumo a Lisboa, sempre a olhar para a janela, abstraindo-mo-nos dos infortunados que iam de pé e ignorando os olhares maldosos de qualquer deficiente, grávida ou idoso que pudesse esgueirar-se através daquela mole de gente, que ocupava todo o espaço livre até à porta.

O planeamento urbano em Portugal, numa só palavra, é criminoso. E para mim, isto já só tem uma solução. Temos de juntar uma rapaziada do MDLP e das FP-25 de Abril e convertê-los às causas ambientais. Qualquer obra não prevista no PDM do município (ou no senso comum de alguém com um QI superior a 25) seria irremediavelmente destruída. À bomba. Os atentados ocorreriam entre as 2h e as 5h da manhã para não ferir ou matar alguém. Digam lá se este não seria um grupo terrorista que teriamos todo o gosto em apoiar. Para variar.